terça-feira, 30 de junho de 2009

Segue o "pingo"

Esses últimos dias o mercado tem se movimentado pouco no intraday. Ele praticamente reage à um dado divulgado nos EUA ou já abre com GAP devido às bolsas européias e asiáticas.

Alguns traders já evidenciaram a falta de volume como um sinalizador de futuros problemas. No gráfico abaixo podemos ver uma divergência dos preços com o OBV e uma queda acentuada no volume desde o topo de 02 de Junho.

Esse fato se deve aos americanos que costumam sair de férias para curtir o verão e deixam a bolsa de lado.

O ditado "sell in may and go away" não é para o mês de maio e sim para os seis meses que se seguem, ou seja, quem vende em maio e volta no começo de novembro tende a performar melhor de quem "segurou" o ano inteiro.

Olhando os candles do intra-diário o que vejo é que têm pouca gente olhando o mercado fazendo apostas e especulando os dias seguintes; não é comum o mercado reagir de forma exata à notícia ou dado econômico e não mexer mais durante o dia.

Essa situação me faz lembrar da posição do trader Jim Rogers que diz: "Eu não estou short em nenhuma ação mas também não estou comprando".

Ele acredita que o mercado de ações é para baixo e vive uma de suas irracionalidades desde o início do segundo trimestre, ele prefere apostar nas commodities com o argumento de que se a economia se recuperar as commodities vão subir antes da economia e se a economia não recuperar com a enxurrada de dinheiro que o fed colocou na praça irá causar inflação que faz das commodities um investimento defensivo contra esse mal.

Se a turma do oba-oba não está tão empolgada assim e não aparece gente para "shortear", o mercado fica paradão reagindo apenas aos dados e as notícias de forma exata como num jogo de poker em que nenhum dos jogadores faz alguma aposta deixando para quem tem o melhor jogo ganhar apenas o "pingo" dos demais jogadores.

Deixando tudo isso de lado, um trade razoável com stop na máxima de hoje e alvo na mínima do dia 23/06 me parece bem razoável já que o mercado não passou da resistência (máxima do dia 05/06) e não recuou da linha de tendência de baixa.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Never Fight the Fed

O mito se fez valer hoje com a divulgação da ata do fed que manteve a taxa de juros inalterada em praticamente 0% e derrubou os mercados. O pessimismo veio mais da ata que a decisão. Na ata, o FED mostrou que a economia não deve crescer muito e o baixo crescimento não deve puxar a inflação. Essa conjectura vem se desenhando desde a semana passada com os dados de inflação (CPI e PPI) abaixo do esperado. Hoje o famoso investidor Warren Buffet confirmou a expectativa de retomada mais lenta da economia assim como o banco mundial (que piorou a expectativa de crescimento mundial na segunda feira). Com isso, ou seja, o mundo crescendo menos que o pessoal que comprou em maio achava, devemos ter uma correção um pouco maior que estávamos acostumados neste segundo trimestre.

sábado, 20 de junho de 2009

Sugestão de Trade

A semana colocou a tendência de alta em xeque, os investidores tomaram posições mais defensivas e os dados de atividade não foram suficientes para animar quem apostava numa recuperação mais rápida. Com esse cenário segue uma sugestão de trade para o IBOVESPA à vista:
Entrada: Vendido no Fechamento de sexta
Stop: 52095
Alvo: 48300
Lucro Esperado: 3073 pontos
Risco: 722 pontos


Obs: Como não se opera o índice à vista, uma maneira é operar o futuro quando o à vista atingir os níveis citados à cima, pode não ser a maneira mais correta mas devido a transição de um vencimento a outro as referências de suporte e resistência no índice futuro ficam um pouco distorcidas.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O mercado na defensiva

Hoje novamente foram divulgados indicadores de atividade nos EUA (o Leading Indicators do Conference Board subindo 1.2% acima do consenso de 1% e o General Business Conditions Index do Fed de Philadelphia cainda apenas 2.2% enquanto que o esperado era de uma queda de 15%) e novamente não foram suficientes para animar os "Growth Investor", tanto que o índice Nasdaq caiu -0.02% enquanto que o S&P500 subiu +0.84%. Examinando mais de perto a movimentação do mercado americano na figura abaixo:

Vemos que os destaques de alta foi do setor de "utilities" tradicionalmente um setor defensivo, também vemos as ações de energia (derivada do petróleo) caindo apesar da alta de 0.44% do petróleo. Também podemos destacar as baixas da Rio Tinto e da Vale que mostram que as commodities não estão tão atraentes como a um mês atrás quando reagiam mais a dados como os de hoje.

terça-feira, 16 de junho de 2009

De V para L ?

Muitos participantes do mercado tem falado que o fundo ficou para trás e a discussão é como a economia mundial irá se recuperar. Uns falam que será em forma de "V", ou seja, o mercado rapidamente voltaria para a conjectura pré-crise. Outra visão acredita que os problemas gerados pela crise não vão ser solucionados rapidamente, portanto o mercado ficaria algum tempo oscilando abaixo dos níveis pré-crise antes de se recuperar.

Quem aposta no "V" ?

Quem acredita que a política expansionista dos Bancos Centrais ao redor do mundo será eficaz e que para não perder dinheiro com a inflação os players seriam "forçados" a tomar mais risco e assim puxar recuperação da economia.
Nesse grupo, vemos os tomadores de risco na ponta vencedora, por isso a alta nos mercados emergentes e nas commodities. Também podemos incluir nesse grupo os "Growth Investors", ou seja, os investidores que privilegiam a análise horizontal (ou temporal) pela análise vertical. Para esses investidores uma ação é barata se o preço não aumentou tanto quanto os lucros aumentaram. Por exemplo: se uma ação A subiu 30% no período em que seus lucros subiram 20% é melhor que uma ação B que subiu 20% enquanto que seus lucros subiram 10%. Nessa estratégia é normal comprar no rompimento de topo o que seria um absurdo para um "Value Investor" que procura o melhor preço. Por isso, a aversão ao risco dos "Growth Investors" é menor que a dos "Value Investor".
A aposta no "V" desde o começo do ano é a que está na frente como podemos ver no gráfico abaixo com os "Growth Investors", representados pelo "ETF" "iShares S&P 500 Growth Index" IVW em vermelho, descolando do "ETF" "ishares S&P500 Value Index" IVE a partir do começo de 2009.



Quem aposta no "L" ?

Nessa conjectura a política expansionista não será eficiente e mesmo com dinheiro no bolso e a inflação à vista os players não aumentarão sua exposição ao risco. Parafraseando Art Cashin, se o federal reserve vier com um helicóptero e despejar um caminhão de dinheiro na porta da minha garagem e eu apenas resmungar e guardar todo meu dinheiro na garagem não haverá riscos de inflação.
Essa conjectura vem ganhando força nos últimos dias pois hoje vemos uma inflação muito abaixo das expectativas assim como a produção e a capacidade instalada.

Ligando os Pontos...

Seguindo essa linha, fica mais fácil entender porque a curva de juros está mais côncava do que deveria, os investidores não estão tomando risco como deveriam e tem muita gente comprando treasuries da ponta longa diminuindo a taxa. Por isso, quando esse pessoal ver que o risco da economia se recuperar diminuiu de modo que se adéque à sua aversão ao risco é que teremos uma tendência de alta mais consistente.

Como fica daqui para frente ?

Refletindo sobre a semana passada quando tínhamos indicadores de atividade não extraordinários mas bons indicadores (assim como hoje tivemos uma melhora no Housing Starts) que não foram suficientes para puxar as ações, o que está acontecendo é que os preços nesses patamares exigiriam um crescimento ainda maior para atrair novos "Growth Investor" para puxar os preços.
Quem apostou no "L" (que andou tomando o maior calor neste primeiro semstre) está mostrando a cara agora movimentando os juros de longo prazo e obrigando a realização dos growth investor que poderão voltar com preços mais atrativos se a economia continuar nesse ritmo.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A alta está em Xeque

Há motivos técnicos para duvidar da continuidade da tendência de alta:

1. O ADX que esteve acima de 30 desde o início de maio fechou em 27

2. O Ibovespa fechou abaixo da reta de tendência de alta iniciada em março.

Como vemos na figura abaixo:



3. Divergências nos osciladores MACD e MoM.



No curtíssimo prazo...


O Ibovespa fechou em cima da média exponencial de 20 dias, e acima da retração de 50% de Fibonacci do início da queda, o que favorece trades comprados.



Na semana passada tivemos uma diminuição significativa da volatilidade, e hoje estourou para baixo e como esta anda em clusters (uma alta da volatilidade induz mais volatilidade e diminuição de volatilidade induz menos volatilidade) devemos ter uma semana agitada com oportunidades na compra e na venda.

sábado, 13 de junho de 2009

O mercado está de férias!

A volatilidade nesta semana diminuiu muito não só por conta do feriado nacional mas também pela recente "calmaria" no mercado americano. Uma movimentação maior do que eu esperava na quinta feira não aconteceu por Wall Street considerar que a recuperação da economia já é um fato e não uma situação duvidosa que forçasse reposicionamento de quem estava na ponta oposta, tanto é que em vez de preocupações com os dados de atividade econômica as discussões se centralizaram no mercado de títulos do tesouro americano com o governo japonês reafirmando a confiança nas suas posições compradas de títulos de longo prazo.

Com tudo isso, o mercado está voltando ao normal, ou seja, a preocupação deixa de ser a atividade e está voltando para a inflação. Essa conclusão ainda não é tão clara pois para esse cenário a estrutura a termo (yield curve) deve ser inclinada para cima como aconteceu no fundo da última crise a partir do início de 2003 o que ainda não aconteceu pelo comportamento no juros de longo prazo que estão invertidos com os juros de 20 maiores que os de 30 anos. Essa pequena inversão também ocorreu em novembro de 2001 sinalizando que haveria mais um fundo antes da recuperação. Na figura abaixo temos estrutura a termo em preta em novembro de 2001 e em vermelha a estrutura a termo em março de 2009.




Nesta outra figura abaixo, temos em preto a estrutura a termo em novembro de 2001 sinalizando uma anomalia entre os juros de 30 anos menores que os juros de 20 anos. Quando foi corrigida no final de 2002, com a curva "zerando" a concavidade com os juros de longo sempre maiores que os juros de curto prazo é que encontramos um fundo.